Uma artista tão imaginativa e singular como Ana Mazzotti não surge com frequência. Apelidada de "supermúsica" pelo também virtuoso brasileiro Hermeto Pascoal, a curta, porém rica carreira musical de Mazzotti culminou em apenas dois álbuns de estúdio: Ninguem Vai Me Segurar (1974) e Ana Mazzotti (1977). Fora dos círculos de aficionados do funk brasileiro, essas duas joias de samba-jazz fascinante, funk lisérgico e bossa nova psicodélica permaneceram relativamente desconhecidas. Isso se deveu em parte à morte prematura de Mazzotti (ela perdeu a batalha contra o câncer aos trinta e poucos anos), mas também às restrições financeiras e ao preconceito que enfrentou como compositora em uma sociedade fundamentalmente sexista.